Me chamo Danilo, tenho 33 anos, moro em São Paulo, sou evangélico desde que nasci (igreja Pentecostal Deus é Amor), sou policial, sou o irmão mais velho, faço parte de uma família tradicional e preconceituosa, sou gay. Não queria sentir atração física por homem mas sinto, já fiz tudo que se possa imaginar pra deixar de sentir e não consegui. Criei o Blog pra desabafar e conhecer pessoas na mesma situação que a minha. Meu e-mail é: gladiadordavi@gmail.com
Uma das coisas que percebi desde que me entendo por gay é que a maioria dos homossexuais se não tem nenhum conflito com o pai, tem um pai ausente. Eu faço parte dessa estatística.
Até meus 12 anos minha família era composta pelo meu pai, um irmão mais novo e minha mãe. Minha família veio de Pernambuco fazer a vida em SP e por aqui ficaram até hoje. Desde que me entendo por gente meu pai era uma pessoa que teve problemas com drogas e álcool. Quando eu tinha uns 12 anos meu pai começou a usar drogas com mais força ainda, chegou a se internar algumas vezes. Minha mãe trabalhava e ele ficava em casa na maior parte do tempo. Eu era criança mas já tinha noção que as coisas não estavam corretas. Nessa época tinha conflitos fortes com meu pai sobre ele chegar bêbado em casa, não trabalhar e minha mãe sempre bancar tudo. Minha mãe sempre foi apaixonada por ele e não tomava postura nenhuma. Eu mesmo sempre criança pedia pra ela se separar e jogava na cara dele, o que faziam os conflitos aumentarem e ele me bater e até me chutar caído no chão, na frente dos meus amigos o que senti muita vergonha na época.
Não lembro qual foi a gota d'água que fizeram eles se separarem, mas eles se separaram e uma das coisas que lembro foi minha mãe me falar "tá feliz agora? se o problema era ele agora não é mais". Achei pesado ela falar isso pra uma criança de 12 anos, mas ela disse e eu me senti aliviado quando ele foi embora. Depois disso, apesar de não morar mais com a gente, minha mãe e meu irmão nunca perderam o contato com ele. Ela nunca me disse mas acho que ela ficou continuando sendo esposa dele por muitos e muitos anos. Depois desse período eu não tinha nem 15 anos, ele chegou a arrombar a porta de casa uma vez com o traficante na porta pra pegar o vídeo cassete pra trocar por drogas. Meu ódio só aumentava.
O tempo passou. O ódio durou por muitos anos mas aos poucos esse ódio se tornou em desprezo. Como disse acima, minha mãe e meu irmão nunca perderam o conato com ele, mas eu perdi 100%. O via de vez em nunca quando ia visitar minha vó ou ia no trabalho da minha mãe e o via lá. Mas o tratava com toda educação e sempre pedia a "benção". Mas o clima nunca foi natural esses anos todos, sempre teve um clima desconfortável que eu sentia em estar perto dele.
Essa semana minha mãe me falou que ele está com câncer no intestino e parece que está um pouco avançado. Fiquei triste com a notícia mesmo não o amando. Falando em amar não lembro de nunca ter amado meu pai. Se quando eu tinha menos de 10 anos a gente teve bons momentos juntos minha memória parece que apagou. Me sinto um pouco culpado também, será que nesses 26 anos eu não deveria tê-lo procurado e tentado uma reaproximação. Porém também sei que meu pai além do problema com álcool e drogas tinha um gênio difícil, tanto é que os irmãos, irmãs e minha vó sempre tiveram problema de convivência com ele a vida inteira também. Mesmo assim, sei lá, me sinto meio culpado de não ter tentado se aproximar dele quando ele estava bem. Meu irmão me ligou essa semana e disse que se eu tinha algo pra falar com ele o momento era agora, falei para meu irmão que não tinha nada pra falar. Claro que se ele quisesse falar comigo eu iria pra conversarmos.
Acho que o desejo que eu tive a vida toda de ser pai tem muito haver disso, pois sempre quis ter um pai que fosse meu amigo e me protegesse e foi justamente o contrário que aconteceu. Queria viver isso com um possível filho que eu pudesse ter, mas a vida me negou isso mesmo eu tentando diversas vezes. Hoje transfiro esse sentimento para meus sobrinhos.
É isso, nunca falei do meu pai aqui. Talvez eu tivesse mais pra escrever sobre essa atual situação mas não me sinto confortável ainda. Espero que ele fique bem, que não sofra e que Deus faça o melhor por ele.
Esse fim de semana fui com meu namorado na Sauna Amazonas que fica lá no bairro do Brás, já tinha ido outra vez sozinho e outra vez com ele (tentei, postar o link da postagem aqui mas não estou conseguindo). Chegamos umas 18h (a sauna fica aberto até 22h). A sauna é composta na grande maioria por maduros mas talvez pelo horário não estava tão cheia.
Percebi que fizeram uma reforma nas dependências pois estava bem abandonada última vez que fui. Como eu disse acima, não tinha muita gente então nem fizemos muita coisa. Primeiro fomos na sauna a vapor no andar de baixo, tinha um novinho gordinho peludinho, rola super grossa e suculenta, acabei mamando ele mas meu namorado não o curtiu então só eu mamei. Coloquei os 2 de pé e mamei as duas rolas ao mesmo tempo.
No andar de cima tem tipo uma sala de TV onde passa filme pornô. Tinha um maduro lá sentado e outro cara chupando ele. Sentei na cadeira, tirei a toalha e comei a me masturbar em seguida vieram dois caras que me mamaram. Meu namorado chupou o cara que já estava na sala quando chegamos.
Entrou um cara de 40 e poucos anos, 1,70 de altura mais ou menos, branco, corpo definido pra magro, bunda pequena (do jeito que gosto). Ele me mamou, enquanto me mamava enfiei meu dedo no cu dele e falei no ouvido dele que queria comer ele ali. Ele fez cu doce e disse que ali não, que queria ir pro quarto. Continuou me mamando, enquanto ele me mamava eu via meu namorado chupando um coroa branco, gordo, sem pêlos do pau grande. Passei cuspe no meu dedo e enquanto o cara me mamava brincava com o cu dele e falei de novo que queria comer ele ali, ele concordou. Perguntei se ele tinha camisinha, ele disse que tinha. Colocou a camisinha no meu pau com a boca. Coloquei ele de quatro, passei a língua no cu dele, cu delicioso por sinal apertadinho, cuspi no cu dele pra lubrificar e comecei a pincelar meu pau no cu dele até enfiar aos poucos, o cu dele realmente era bem apertado, talvez por falta de um gel lubrificante dificultou mais ainda. Enquanto meu namorado mamava o coroa gordo da rola grande eu metia no coroa magro da bunda pequena. Uma das coisas que me da mais tesão é o puto ou a puta que eu to comendo gemer, às vezes gozo só em escutar o gemido e esse puto gemia de forma deliciosa.
Estava eu bombando meu pau no cu dele quando de repente sinto que a bombada está mais gostosa. Eu não sou circuncidado então tenho muita sensibilidade na minha glande. Tirei meu pau na hora que senti e confirmei o que desconfiei, a camisinha tinha estourado. Falei no ouvido do cara que a camisinha estourou, tirei e joguei fora o que restou dela. O cara me chupou mais um pouco e foi embora.
Falei pro meu namorado do ocorrido, mas sem estresse e sem pânico. Eu já sabia que existia a PEP e assim que chegasse em casa pesquisaria sobre isso. Ainda procuramos uns putos pra brincar mas a sauna realmente estava bem vazia, já era umas 20h. Tomamos banho e viemos embora, nem gozamos lá por fata de pessoas.
Não sabia que tinha isso, mas ao irmos embora a sauna estava disponibilizando gratuitamente uma caixa pra fazer teste de HIV. Trouxemos 2 caixas. Não sabia que o governo estava oferecendo esse tipo de produto, achei bem bacana. Eu faço exame de sangue a cada 6 meses para controle da diabetes, colesterol e consequentemente de DSTs. Apesar de comer outros caras sem ser meu namorado, SEMPRE uso preservativo, está fora de cogitação sexo sem camisinha.
Ao chegar em casa estava com o saco cheio de porra e de tesão já que não gozei na sauna. Meu namorado tb não havia gozado então fiz ele colocar a camisinha no meu pau, passei gel no cu dele e o comi com tanto tesão, meti com força nele de frango assado enquanto apertava os peitos dele e segurava a cabeça dele com força. Gozei na camisinha e ele gozou tirando a camisinha cheia de leite do meu pau.
Eu sabia da existência da PEP, que é um remédio que se usa por 28 dias seguidos para pessoas que tiveram risco de pegar HIV. (Existe a PREP que é PRÉ exposição - não vou dar aula sobre isso aqui, mas recomendo quem tem uma vida sexual ativa pesquisar no google sobre PEP e PREP). E querendo ou não eu havia penetrado em um cara desconhecido. Pesquisei na internet os locais que entregavam esse remédio e o mais perto de casa foi no Hospital Campo Limpo. Domingo de manhã fui lá, demorou bastante (cerca de 4 horas da chegada até hora que fui embora). Falei pra atendente que gostaria de solicitar o uso da PEP pois tinha passado por uma exposição ao vírus hiv. Deu um pouco de vergonha, mas na hora que tava descendo a piroca em um desconhecido na frente de algumas pessoas não tive vergonha haha. Então ela fez minha ficha, fez algumas perguntas (ele elas minhas orientação sexual: respondi Bissexual). Fiz o teste rápido de HIV e deu negativo. Aguardei mais algumas horas. O médico me deu o remédio e me orientou como tomar. São 2 remédios, tomar um de cada por 28 dias e retornar pra fazer o exame. Comecei domingo, hoje é terça feira, hoje foi o terceiro remédio e não estou tendo efeito colateral nenhum, li na net que dá enjoo ou diarreia, por enquanto nada disso estou tendo.
É isso meus amigos, se cuidem. Não é errado transar, mas é errado não se cuidar e pior ainda não pensar no próximo e sair por ai espalhando DST para as pessoas. Hoje todos nós temos a maior biblioteca do mundo que é o Google e pode tirar todas nossas dúvidas. Grande abraço, a gente se fala.
Tava assistindo no Globo Play um documentário sobre a história dos gays na TV brasileira e isso me fez lembrar de como a TV foi importante na minha vida já que em casa sexo era assunto inexistente, homossexualidade nunca essa palavra foi tocada dentro de casa. Também não conhecia nenhum gay na família ou amigo. Os personagens gays da tv que eu lembro e fizeram parte da minha vida são esses:
VERA VERÃO
Na minha lembrança é o primeiro gay da tv me recordo assistindo. E não era um gay qualquer, era um gay negro, afeminado e sim: empoderado. Vera Verão era um personagem do ator Jorge Lafond e participava da praça é nossa, esse ano já faz 18 anos que ele morreu, mas lembro com muita clareza seu rosto e sua voz. O personagem fazia parte da Praça É Nossa e toda semana estava lá batendo cartão, chamava o Carlos Alberto de Charles Albert e nunca, nunca baixou a cabeça pra ninguém. Sempre que algum outro personagem o chamava de Bicha ele fazia um escândalo e gritava "êêêêêêêêpaaaaaa, bicha não, eu sou um aquase mulher". Eu curtia o personagem quando era adolescente e hoje com certeza revejo os vídeos curto mais ainda.
SANDRINHO E JEFFERSON
Em 1995, no meio de um monte de assassinatos na novela A Próxima Vítima surgiu o casal Sandro e Jefferson. Eu tinha 12 anos de idade, não sabia que era gay ainda, mas sabia que tinha alguma coisa diferente comigo que era a atração por meninos. Na igreja eu me matava de orar, jejuar, fazer campanhas. Nessa época eu tb não tinha começado a me masturbar, apenas apreciar os mooleques da minha sala com outros olhos. Silvio de Abreu, o autor da novela, teve uma sacada bem legal pra não chocar a "tradicional família brasileira", primeiro ele apresentou os dois por muitos capítulos, mostrou as qualidades, eram bons filhos, bons amigos, eram "discretos" e somente no meio da novela (no meio do caos de nego morrendo envolvendo um Horóscopo Chinês) ele mostrou que os dois eram gays e mantinha um relacionamento às escondidas. O público como já era apaixonado por eles recebeu ambos bem. Porém lembro até hoje nos jornais mostrando que o André Gonçalves (que fazia o Sandro) ter sido agredido por fazer um gay na novela. O outro ator que fazia o Jefferson era o Lui Mendes. A forma que cada familiar descobriu a sexualidade deles também foi interessante, enquanto Ana (Suzana Vieira) mãe de Sandrinho o recebeu muito bem. Já Jefferson sofreu pra ser aceito por sua mãe e seu irmão mais velho. É um casal que eu guardo com muito carinho, pois foi a primeira vez que vi na TV gays com um dia a dia normal.
SARITA
Após o fim de A Próxima Vítima em 1995 a Globo apresentou Explode Coração, a novela era uma delícia de assistir onde conhecemos a cultura Cigana e entre os personagens estava Sarita representada pelo ator Floriano Peixoto. Glória Perez, que era a autora da novela, nunca deixou claro o que Sarita era: hétero, gay, bi, travesti, transsexual (nem existia esse nome na época, que eu me lembre). Uma entrevista do ator na época ele disse que a ideia era viver o limite entre o homem e uma mulher. Hoje assistindo está claro que ela era transexual pois várias vezes ela dizia que havia nascido em corpo errado. Sarita está aqui na minha lista de personagens porque foi a primeira vez que eu vi na tv uma "travesti" com um dia a dia normal, sem que fosse o palhaço de circo pra fazer as pessoas rirem. Eu com 12 anos na época só conhecia e via de longe os travestis quando passava de carro com meus pais ou tios pelo Joquei Clube e lá estavam elas se prostituindo e muitas com os pênis pra fora se masturbando. Sarita queria ser mãe, tinha traços masculinos apesar dos longos cabelos grandes e colocava os homofóbicos da novela no lugar deles, por ser alta metia a porrada em quem a destratasse. Sempre que me deparou com alguma mulher com o nome Sarita minha mente já vai pra 1995 e lembro desse personagem que chamou atenção na época.
CINTURA FINA
Em 1998 fomos presenteados com a minissérie Hilda Furacão que contava a história da moça rica que na década de 50 abandonou o futuro marido no altar e foi viver na zona de prostituição de Belo Horizonte e viveu uma linda história de amor com um padre (a história é linda). Nessa zona de prostituição Hilda Furacão faz amizade com as demais prostitutas e com a travesti Cintura Fina (interpretado por Matheus Nachtergaele). O personagem que foi adaptado para a tv existiu na vida real, era pobre e se prostituía na Rua Guaicurus, a zona boêmia da capital mineira. Cintura Fina além de ter pavio curto tinha uma afiada navalha que usava pra se defender e defender as amigas prostitutas. Na minissérie ele era muito amigo de Hilda chegando a defender a rica amiga algumas vezes. Empoderado nunca baixou a cabeça pra ninguém, chegando inclusive a ser preso por isso. Clicando AQUI tem uma reportagem sobre o verdadeiro Cintura Fina.
JUNIOR E ZECA
Eu sempre fui fã das novelas da Glória Perez e em 2005 com América não foi diferente, a novela falava sobre realizar sonhos, viajar pra fora do país e o mundo dos rodeios. No clã dos rodeios tinha uma viúva gente boa mas bem tradicional chamada Neuta que tinha um único filho chamado Junior, gay enrustido, que foi criado para ser um grande fazendeiro e um homem valente como o falecido pai. Junior passou anos fora estudando na cidade e ao voltar não se interessa nenhum pouco pelas atividades rurais, ele gostaria mesmo é de ser estilista, porém não consegue dizer isso à mãe. Para enganar e ser aceito pela mãe ele finge ser o pai do filho que a amiga confidente está esperando. A novela ocorre mil coisas, a amiga dele vai embora e deixa o filho pra ele criar. Jr começa a namorar uma menina mas sem vontade nenhuma. Até que Neuta contrata o peão Zeca para cuidar dos bois da fazenda. Ambos vão se apaixonando ao pouco, Neuta desconfia da paixão do filho pelo peão e o demite, então Junior assume que é gay e está apaixonado por Zeca. No final os dois ficam juntos. E teve muita polêmica nessa novela sobre a Globo passar ou não passar o beijo entre eles, a cena chegou a ser gravada 7 vezes. Era um casal fofo.
BENNY
Em 2008 a Globo apresenta uma das minisséries mais sensíveis e uma das minhas preferidas: Queridos Amigos. A história começa com o personagem Léo descobrindo que tem pouco tempo de vida e ele faz um reencontro dos seus 12 amigos, a história se passa em 1989 e eles fazem um balanço das utopias, do que eles queriam ser e quem se tornaram no decorrer da vida. Entre os amigos de Léo está Benny, um gay rico, afeminado, que sempre ajudou os amigos porém é arrogante, perturbador e provocador. Os demais amigos sempre questionam Léo por que ele ainda tem amizade com Benny já que ele é tão grotesco e fala coisas desnecessárias que machucam todos. Benny é o gay necessário que fala verdades que doem não só para os personagens como para nós que estamos em casa. Léo sabe que as agressões de Benny na verdade é um pedido de socorro. Só em escrever sobre o personagem deu vontade de rever o seriado, é uma reflexão gostosa pra se fazer sobre quem eramos e quem somos. Sem contar a trilha sonora e a fotografia da cidade de São Paulo que é um show a parte. Ah, Benny é apaixonado pelo amigo hétero Pedro que não tá nem ai pra ele).
FÉLIX
Esse personagem foi da novela Amor a Vida e era representado pelo Mateus Solano que mandou muito bem na atuação. Félix era pra ser o vilão da novela e cometeu alguns crimes abomináveis como sequestrar e abandonar a sobrinha na lata de lixo ainda bebê, mas o personagem e o ator tinham tanto carisma que ele se tornou o protagonista e o mais querido da novela. Ele era um gay/bi afeminado que vivia no armário chegando a se casar e ter um filho com a ex esposa Edite. O personagem era muito engraçado, tinha fortes trejeitos, chamava seu pai homofóbico de "Papi", sua mãe, muito bem interpretada pela Suzana Vieira ele a chamava de "Mami Poderosa". No decorrer da novela ao descobrirem suas maldades ele é expulso de casa e na rua é obrigado a vender hotdog com a ala cômica da novela, ele vendendo cachorro quente na rua era um show a parte. Na novela havia o casal gay Niko e Eron que queriam ser pai a todo custo, chegaram a tentar barriga de aluguel. Eron trai Niko. Félix começa a pagar pelos crimes que cometeu e nessa caminhada conhece Niko, muito bem interpretado por um dos atores mais lindos do Brasil (Thiago Fragoso). No final da novela, dia 31 de janeiro de 2014, ocorre o primeiro beijo gay na televisão: Niko e Felix se beijam. Os dois acabam juntos e formaram uma família linda. Tem três coisas dessa novela que me marcaram: nela eu vi que eu não era tão discreto quanto eu pensava: Félix tinha uma característica de ficar passando o dedo na sobrancelha e eu tb tinha (hoje tenho bem menos) essa mania de ficar passando o dedo na sobrancelha, nem é pra arrumar a sobrancelha, sei lá por que dessa mania, mas eu raxava de rir vendo ele fazendo isso pois me via ali. Outra coisa que eu achava bem legal era que o Pelotão da Companhia que eu trabalhava na PM assistia a novela e os kras amavam o Félix, e curtiam o personagem, a história, entre uma ocorrência e outra a gente tava falando do Félix, eu não era assumido naquela época, sinto que se eu fosse seria mais legal ainda. E por fim, lá por 2013 eu namorava uma mina e o irmão dela tinha uns 17 anos e era muito parecido com o Félix, ele não era assumido pra família mas tinha as características físicas (branquinho, magrelo, alto, cabelos bem pretos) e na época eu nem reparei mas hoje vejo que ele dava em cima de mim, ainda bem que na época eu não percebi porque não sei se conseguiria dizer não ás investidas.
MARCASSA
Em 2013 a Globo passou a série de humor Pé na Cova escrita por Miguel Falabela, contava a história de uma família e vizinhos no bairro do Irajá no RJ. O seriado era bem escrachado e todos os personagens nada convencionais, série que parecia bobinha mas era gostosa pra relaxar e quem assistia com atenção percebia reflexões na forma sarcástica que eram apresentada a vida daquelas pessoas. Marcão era um negro alto, gostoso e mecânico durante o dia e a noite se se montava todo, mudava a voz e se transformava na doce Marcassa, que fazia ponto pelas ruas do Irajá. Era um barato ver o contraste dele de dia com ele a noite. O personagem nem teve tanto sucesso na mídia mas com certeza era muito querido a quem assistia a série. Inclusive Sermancino, que foi adotado pela irmã de Marcassa, escreveu um redação linda pra escola que vou deixar abaixo:
Meu nome é
Sermancino dos Santos, sou carioca e tenho 11 anos. Não connheci o meu pai e
minha mãe me deixou com uma tia que era louca. Acho que eu sofri tanto que um
dia os anjos tiveram pena de mim e me der uma segunda chance na vida. Eu
ganhei um pai e uma mãe. Meu pai é mulher mas eu não tenho preconceito e além
do mais ele é o melhor pai do mundo. Ganhei também um tio e uma tia de uma vez
só, pensando bem, ganhei dois tios e uma tia, porque o tio Marcão
vale por dois: tio Marcão e tia Marcassa. Não chega a ser um problema.
Minha mãe é
linda e ganha muito dinheiro tirando dinheiro na internet agro ela não pode
porque a barriga está muito grande mas assim que minha irmã nascer, ela volta
para o trabalho. Minha avó esta internada por alcoolismo e meu avô é agente
funerário.
Essa é a
minha família. Talvez não seja uma família como as outras mas foi nessa família
que eu aprendi o que é felicidade, por isso, o que eu vou ser quando
crescer não importa agora. Quando eu crescer eu vejo mas, com certeza, eu serei
um homem feliz .
LAURO E TOBIAS
Em 2016 na novela das seis Êta Mundo Bom conhecemos o alfaiate Lauro que era o amor platônico da viúva Emma. Nunca foi explicito que ele era gay mas nas entrelinhas o autor deixava isso transparecer na amizade dele com o médico Tobias. A confirmação veio no último capítulo de forma muito sutil e delicada quando Lauro não aceitar casar com a viúva e dirá a ela que "não é um homem como os outros" e ela muito sensata diz "eu entendo bem Lauro. É um amor que não ousa dizer o nome", isso porque a novela se passa na década de 40 e a palavra gay nem era pronunciada. Em seguida Lauro se encontra com Tobias e fala que não poderia viver uma mentira e Tobias diz "eu admiro sua coragem. Venha, vamos para casa. Vou lhe preparar um belo jantar" dando início ao romance.
ANDRÉ E TOLENTINO
Essa minissérie passou na Globo em 2016 e devido ao horário ter sido muito tarde eu não consegui acompanhar assistindo, mas acompanhei a história pela internet. Eu amo novelas de época e essa novela contava a história da filha de Tirandentes, Joaquina, e no meio da trama tinha André (vivido pelo gostoso do Caio Blat) homossexual, afeminado, rico e meio irmão e melhor amigo da protagonista. Ele se apaixonou por Tolentino (Ricardo Pereira, gostoso pra caralho tb), militar rude e fiel a coroa portuguesa. Os dois vivem uma história de amor totalmente no sigilo tendo em vista sodomia ser crime na época e a química entre os dois é de tirar o fôlego, uma delícia ambos os personagens juntos em cena.
IVANA/NONATO - IVAN/ELISREGINA
Ivana é uma moça de família rica, filha de uma ex modelo que sempre tratou a filha como uma mini versão dela mesma. Ivana percebia que era diferente, apesar de ser apaixonada por um homem (Cláudio) ela percebia e se incomodava muito com seu corpo... Fomos descobrindo aos poucos no decorrer da novela que Ivana é um transsexual homem e nasceu em um corpo de mulher. Glória Perez foi tão foda na novela a Força do Querer em 2017 que nos apresentou um transsexual gay. Isso mostra que identificação do corpo não tem haver com orientação sexual. Ivan nasceu em um corpo de mulher, ele é homem e por ele se apaixonar e sentir atração por homens ele é gay (o que o diferencia de mim é que ele nasceu em um corpo feminino - mas ele gosta de macho assim como eu). É meio complicado mas de forma didática a novela nos fez compreender que essas pessoas existem.
E muito legal que a novela ao mesmo tempo que mostrava Ivana se transformando em homem a gente via paralelamente a travesti Elis Miranda, que queria estar 24 horas como mulher mulher e era obrigado a se vestir de forma masculina e discreta para conseguir trabalhar como motorista particular de um VIP.
Eu sai do armário pra minha família no ano que a novela foi ao ar, me inspirei muito na cena que Ivana conta para a família quem é: "não vai ser fácil pra eu dizer, não vai ser fácil pra vocês ouvirem".
Sexta feira em casa sem fazer nada resolvi assistir na Netflix O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, já fiz um post sobre esse filme aqui em Fevereiro de 2014.
O filme foi lançado em 2005 e mexeu bastante comigo quando assisti a primeira vez. Assisti com meu amigo Marcio lá na Av. Consolação no cine Belas Artes.
Em 2005 eu tinha 22 anos, era novo na Polícia Militar, queria abraçar o mundo em todos os sentidos, sonhava em ser pai e ter uma família. E o filme mostrou o que eu queria pra minha vida igual ao personagem Ennis: ter um relacionamento com homem e ao mesmo tempo casar e ter família com esposa e filhos. Na época eu tb tava me recuperando do fim do primeiro cara que me apaixonei (Fábio).
Lembro que na época o orkut estava em alta e tinha uma comunidade do filme onde a gente conversava, muitos gays enrustidos como eu na época e fazíamos observações que passaram em branco durante o filme. Uma observação interessante era o perfil e o sobrenome dos personagens, um se chamava Jack Twist, que em inglês significa furacão e o sobrenome do outro personagem do filme era Ennis Del Mar. E era assim que eles eram mesmo, Jack era como um furacão agitado e que bagunçava por onde passava, enquanto Ennis tinha a calmaria e a profundidade do mar.
Como o tempo passou rápido, é assustador que de 2005 pra cá já se passaram 16 anos. Parece que foi ontem.
O filme se passa em 1963 e dois jovens são contratados para cuidarem de milhares de ovelhas em uma montanha (montanha chamada Brokeback). Montanha essa isolada e os dois passam a conviver. Jack já é mais solto e desinibido enquanto Ennis é caladão e está noivo de Alma. O combinado foi os dois revesarem e uma noite um ficar de vigia nas ovelhas e o outro dormir na barraca. Certa noite ambos bebem até tarde. Jack vai pra barraca e Ennis que deveria vigiar as ovelhas está muito bêbado e dorme ao lado da fogueira. Na madrugada a fogueira apaga e Jack acorda com Ennis tremendo de frio, Jack chama Ennis pra dormir na barraca e cambaleando Ennis aceita o convite do colega de trabalho. Mais tarde ainda Jack pega a mão de Ennis e puxa pra ele como se fossem dormir de conchinha, Ennis acorda assustado, ambos meio que querem brigar e surge a primeira cena de sexo deles, sexo selvagem, sem romantismo, Ennis colocando Jack de quatro, pegando cuspe pra lubrificar e o comendo.
No dia seguinte, clima pesado entre os dois, Ennis extremamente arrependido e perdido. Fala pra Jack que isso não iria mais se repetir pois ele não era bicha, Jack também diz que não é.
Um diálogo sútil que ocorre entre os dois na véspera da foda, é que Jack fala que sua mãe é presbiteriana e Ennis diz que seus pais eram da igreja metodista, ai Jack diz que eles acreditam que pessoas como eles iriam pro inferno, ai Ennis diz que Jack iria pois ele não tinha feito nada pra ir. Subtende-se que ambos já sabiam que ambos eram gays.
A segunda vez que os dois ficam acho uma das cenas mais bonitas, um pede desculpa pro outro e ficam juntos anoite na barraca. O sexo nem é explícito como a primeira vez o que deixa a cena bem romântica.
O período dos dois cuidarem das ovelhas termina. Na hora da despedida Jack pergunta se Ennis vai voltar na próxima temporada para cuidar das ovelhas e Ennis diz que não, que se casará no fim do ano e pretendo algum serviço que não precise dormir fora de casa. Jack vai embora... Ennis chora escondido.
Quatro anos se passam, cada um forma uma família. Jack pesquisa na lista telefônica o endereço de Ennis e manda um cartão, Ennis responde o cartão postal e os dois marcam de se encontrar. Outra cena de tirar o fôlego é o reencontro dos dois, a saudade, a ansiedade, o abraço forte, o medo de se beijarem. Nesse momento a submissa esposa de Ennis vê o encontro pela janela de casa e fica em choque. Em 2005 quando assisti nem fiquei com dó de Alma, hoje assistindo foi de cortar o coração.
Ennis e Jack vão para o motel e o diálogo dos dois mostra que Jack gostaria de ter alguma coisa com Ennis, mas Ennis deixa claro que o rumo que sua vida levou não daria pra ter algo entre os dois. Ennis inventa uma desculpa para a esposa que vai pescar com Jack e os dois vão acampar na montanha Brokeback, outro diálogo de partir o coração:
Jack: Podia ser assim sempre.
Ennis: E como seria isso?
Jack: E se eu e você tivéssemos um rancho. Vendendo vacas e tal. Seria uma boa vida.
Ennis: Você tem sua mulher e sua vida no Texas e eu tenho a minha em Riverton.
Jack: É? Você e sua esposa, isso é vida?
Ennis: Não fale da minha esposa, o negócio é que um ficando perto do outro, e se essa coisa domina a gente, no lugar errado, na hora errada? Estamos mortos.
Nesse momento Ennis conta uma história que presenciou: tinha dois caras mais velhos morando juntos perto de casa, eram a piada da cidade, mesmo sendo dois senhores durões, e um dia encontraram um deles numa vala de irrigação. Bateram nele com uma chave de roda, amarraram e arrastaram ele pelo pênis até que fosse arrancado. Meu pai me mostrou isso quando eu tinha nove anos. Dois homens morando juntos de jeito nenhum. Podemos nos ver de vez em quando, em algum lugar no meio do nada, mas...
Anos depois Ennis se separa, ele manda um cartão postal pra Jack e ao ler a notícia vai correndo ao encontro, todo esperançoso pensando que aquele cartão significava os dois ficarem juntos, Ennis mais uma vez joga um balde de água fria e diz que os dois não podem morar juntos. Jack desolado e triste vai para a zona de prostituição transar com um garoto de programa.
O filme mostra todas as fases da vida deles e décadas depois um dos últimos e mais tristes diálogos deles:
Jack: Podíamos ter tido uma vida boa juntos. Um lugar só nosso. Mas você não quis Ennis. Conte as poucas vezes que ficamos juntos em 20 anos, e veja o quanto você me controlou. Você não sabe o quanto eu sofro. Eu não sou você. Não me basta vir transar uma ou duas vezes por ano. Queria saber como deixar você.
Ennis: E por que não deixa? Por que não me deixa em paz? A culpa é sua por eu ser assim. Eu sou um nada, sem eira nem beira.
SPOILER SPOILER SPOILER - SE NÃO QUISER SABER O FINAL DO FILME PARE DE LER AQUI.
Ennis manda um cartão postal para Jack combinando se encontrarem em determinada data. O cartão postal volta com o carimbo de FALECIDO. Ennis liga pra esposa de Jack que confirma a morte do marido, ele pergunta o que ocorreu e ela fala que foi um acidente envolvendo carro, nesse mesmo instante vemos Jack sendo espancado até a morte por alguns homens pelo fato de descobrirem que ele era gay.
Ennis pergunta se ele foi enterrado lá e a esposa disse que as cinzas foram entregue aos pais de Jack, pois ele queria que ela fosse espalhada em Brokeback Mountain mas ela não sabia onde era esse lugar.
Ennis vai até a casa dos pais de Jack. Fala que sabe onde é a montanha Brokeback e se quiserem ele pode jogar as cinzas dele lá, até que o pai de Jack fala: "eu sei onde fica Brokeback Mountain. Meu filho falava seu nome, Ennis Del Mar, e dizia que um dia iria trazê-lo aqui, e iriam botar ordem neste rancho. Tinha essa ideia doida que vocês dois viriam morar aqui, construir uma casinha, ajudar a administrar o lugar."
Engraçado como a gente muda, em 2005 eu me identificava 100% com Ennis em ter um lance com homem apenas no sigilo. Hoje eu me vejo muito mais como Jack: sinto mais a necessidade de ter alguém, de construir uma vida junto. Inclusive no diálogo que eles têm em que Jasck fala "Queria saber como deixar você" é o que sinto referente ao João, meu namorado, amo muito ele, a razão manda eu separar dele mas a emoção e o amor que eu sinto por ele não deixa. Esse filme continua mexendo comigo, mas agora com outro olhar.
A trilha sonora é perfeita, o sountrack toca na alma, a fotografia é uma das coisas mais bonitas. Sem contar que os 2 atores são lindos demais. Aliás, todos os atores que fazem os demais personagens mandam muito bem.
Sei que esse tipo de postagem a maioria das pessoas não gostam, mas tem postagens que eu faço exclusivamente pra mim, pra minha reflexão. Daqui uns anos se eu assistir de novo volto aqui pra falar meu novo ponto de vista.