Tomei um banho, uma xícara de café sem açúcar e fui ao velório do meu amigo. Chegando lá tinha muita gente, tava acontecendo três velórios, olhei nome por nome e o do meu amigo era o último, Marcos. Entrei na sala e o vi naquele caixão, não aguentei e chorei, a ficha ali caiu que acabou, que não terei mais meu amigo que sabia 100% da minha vida, que eu não precisava mentir, que eu podia ir na casa dele e era um ambiente familiar e não uma gaiola das loucas, que podia vir aqui em casa que depois que ele fosse embora o pessoal não ia perguntar quem era aquele kra afeminado, acabou as horas e horas de conversa. Sei que esse Blog é uma válvula de escape, mantenho contato com muita gente através de e-mail, mas é diferente... é diferente o calor humano, o abraço, ouvir a voz, dar risadas da vida.
Falando em dar risadas, no velório eu ri em alguns momentos lembrando que a gente brincava que quem morresse primeiro teria que impedir as travestis de ir lá causar com plumas e paetês (juro que não sei o que é paetê).
A mãe dele chorava copiosamente em todo o momento, não aceitava de jeito nenhum. Não é a ordem natural da vida uma mãe enterrar um filho. O motivo da morte ficou meio no ar por lá, tudo aconteceu muito rápido, ele pegou uma forte pneumonia que não sarava de jeito nenhum e acabou morrendo. Eu acredito que ele tenha pego hiv, infelizmente acho isso. Pois quando fui no Clube do Sexo e transei sem camisinha lá, eu fiquei meio pirado com a história de aids, falei pra ele que precisava fazer o exame e ele disse que também precisava. Falando em exame dia 10 agora tenho médico anual de rotina onde ele pede todos os exames, e até o fim do mês terei o resultado.
É isso. A única certeza que temos é a da morte mas nunca estamos preparados para recebe-la. Pra mim a jornada vai ficar menos divertida e até um pouco mais pesada sem o Marcos, menos mal que eu tenho esse espaço para por pra fora o que sinto. Abraço, se cuidem.












